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Defesa
Jungmann anuncia medidas para incentivar a Base Industrial de Defesa
10/04/2017 - 14h07

Brasília - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou nesta terça-feira, 4, no Rio de Janeiro,  algumas medidas para incrementar a Base Industrial de Defesa, entre elas a criação de uma linha internacional de crédito entre governos. "Criamos, em conjunto com o ministério da Fazenda e com o BNDES, uma linha internacional de crédito para financiar países que queiram comprar os nossos produtos", afirmou.

Ainda segundo ele, a iniciativa vai proporcionar a criação de novos empregos  no Brasil, além de permitir que a indústria brasileira passe a integrar as cadeias globais de valor. "Precisamos ousar e buscar novos mercados e novas parcerias. Ampliando as oportunidades no setor de defesa expandiremos o produto, a renda e geraremos empregos de alto valor agregado, com salários mais altos do que a média de remuneração da economia", ressaltou Jungmann.

De acordo com o ministério da Defesa, outra medida anunciada é o ingresso do MD na Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), com a criação de um Grupo de Defesa dedicado aos assuntos do setor. "Como plano de trabalho desse Grupo, trataremos, em conjunto com os demais ministérios integrantes da CAMEX, de temas como inteligência e promoção comercial, financiamento e garantias", revelou o ministro.

Raul Jungmann também destacou a importância dos Projetos Estratégicos das Forças Armadas como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), o Programa Nuclear da Marinha (PNM), o Guarani, o Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército, o FX-2 Gripen e o KC-390, da Força Aérea. "São fundamentais para assegurar a capacidade das Forças Armadas de cumprir sua missão constitucional e defender as fronteiras, o território, as águas jurisdicionais e o espaço aéreo brasileiro", destacou.

O ministro detalhou ainda números do orçamento dos investimentos do MD e explicou que a previsão para este ano era de R$ 15 bilhões, porém R$ 9,6 bilhões acabaram contingenciados. Ele acredita que, ao longo do ano, a Defesa consiga recuperar esses recursos.

Para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) foram disponibilizados, para 2017, cerca de R$ 470 milhões, sendo que 80% da primeira fase já foram executados. A segunda fase está em planejamento e deverá ser ampliada para os estados de Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rondônia, além do projeto-piloto já implantado em Mato Grosso do Sul.

Ainda com relação ao SISFRON, o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência República, General Sérgio Etchegoyen, confirmou que o Brasil pretende compartilhar com os países vizinhos o novo sistema. A intenção é dar início à cooperação com a Argentina. "Vamos compartilhar custos, produção, tecnologia e resultados", confirmou Etchegoyen.

Em relação ao Gripen, Jungmann disse que o programa para o novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB) não sofrerá cortes porque os recursos foram garantidos durante a elaboração do contrato. A mesma situação é do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que está em fase de lançamento e com recursos praticamente liquidados, em torno de R$ 2,1 bilhões. E com um orçamento de desenvolvimento e produção na ordem de R$ 5 bilhões, o cargueiro KC-390 tem uma expectativa de exportações de US$ 1,5 bilhão ao ano.

BNDES garantirá linha de crédito internacional para produtos de Defesa

A presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Sílvia Bastos Marques, anunciou nesta terça-feira, 4), em conjunto com o ministro da Defesa, Raul Jungmann,  a criação de uma linha de financiamento internacional de país a país, beneficiando a produção da indústria nacional de defesa, com prazos de pagamento de até 25 anos e 100% das exportações brasileiras.

"Essa é uma exportação diferente das usuais porque é feita de país a país. O que o governo brasileiro está fazendo de forma coordenada, com os ministérios da Fazenda, da Defesa, de Relações Exteriores e com todos os demais órgãos envolvidos, é possibilitar competitividade internacional à nossa indústria", afirmou a presidente do BNDES.

Ainda segundo Maria Sílvia, os financiamentos poderão ter uma carência para pagamento de até cinco anos. Segundo ela, “o trabalho foi em conjunto, mas foi estruturado em prol desta indústria tão importante para o país. O Grupo de Defesa criado na Câmara de Comércio Exterior vai dar as normativas para as garantias. Nossa intenção é estruturar linha de financiamento que seja compatível com as condições internacionais", declarou Maria Sílvia.

Na opinião de Raul Jungmann, poderão ser financiados por países amigos produtos como o cargueiro KC-390 e o blindado Guarani, além de um submarino de propulsão diesel-elétrico.