Brasília, 20 de outubro de 2019 - 19h41
Chanceler defende relação intensa, profunda e integral do Brasil com os EUA

Chanceler defende relação intensa, profunda e integral do Brasil com os EUA

06 de abril de 2019 - 19:13:53
por: Marcelo Rech
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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, defendeu em audiência pública realizada na quinta-feira, 4, no Senado Federal, que o Brasil busque uma “relação intensa, profunda e integral” com os Estados Unidos. Ele assegurou ainda que o Brasil não está em alinhamento automático com Washington nem com o governo de Donald Trump.

Segundo Araújo, “não há nada de ideológico nem alinhamento automático nosso. O que há é o reconhecimento de que se queremos desenvolvimento, temos que ter uma parceria com os Estados Unidos, não-excludente, intensa e profunda. Já estamos colhendo fruto disso ao fecharmos o acordo de salvaguardas tecnológicas, permitindo o uso da Base de Alcântara a nosso favor depois de 20 anos”, afirmou.

De acordo com o ministro, tanto os Estados Unidos quanto Israel são países de grande desenvolvimento tecnológico que estão dispostos a parcerias, "dentro de um quadro mais amplo". “Nossa aposta é construir um relacionamento integral e colher os frutos a partir disso. Precisamos regar as raízes e cuidar do tronco para que possamos ter os frutos a partir dos ramos”, explicou.

Durante os debates, o governo brasileiro foi criticado por ter aceitado abrir mão do status de "nação em desenvolvimento" que tem na Organização Mundial do Comércio (OMC), em troca do seu ingresso na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O status especial permite ao Brasil uma maior flexibilidade nas negociações e processos que se dão no âmbito da OMC. Coreia do Sul, Turquia e Chile entraram na OCDE sem abrir mão do status especial na OMC.

Ernesto Araújo assegurou que tem feito gestões junto aos Estados Unidos e a União Europeia com o objetivo de conseguir uma maior abertura nestes mercados. Além disso, revelou que o Brasil busca aprofundar as negociações para fechar um acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e a UE, e que a entrada na OCDE diminuirá o Custo Brasil e atrairá mais investimentos para o país.

O ministro garantiu também que o aprofundamento das relações do Brasil com os Estados Unidos não afetará as relações com a China e que os asiáticos estão conscientes do atual momento da diplomacia brasileira e que não fazem objeções. O presidente Jair Bolsonaro deverá visitar Pequim no segundo semestre.

Sobre as posições adotadas pelo Brasil em relação a Israel, Ernesto Araújo observou que jamais deu alguma declaração ou tomou qualquer atitude hostil contra os países árabes e que, até o momento, nenhuma barreira foi estabelecida por esses países contra as exportações brasileiras.

Anunciou ainda que o Brasil negocia o aprofundamento dos laços comerciais com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, e que o presidente visitará a Arábia Saudita até o fim de junho.

Atualmente, o Brasil exporta US$ 11,5 bilhões para os países que fazem parte da Liga Árabe. Já o comércio com Israel é de cerca de U$ 321 milhões. De importações com a Liga Árabe, são US$ 7,6 bilhões, enquanto que com Israel a soma atinge US$ 1 bilhão.

Para Ernesto Araujo, é possível manter Israel como grande parceiro sem prejudicar a relação com os países árabes. Segundo ele, reconectar o Brasil com aliados, como israelenses e norte-americanos, sem a exclusão de outras nações está entre as linhas da política externa adotada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Nos anos 1990, a política externa procurou recuperar a credibilidade afetada com a crise econômica ao longo da década de 80. Nos anos 2000, a prioridade foi a criação de um espaço sul-americano, com perspectiva excludente e ideológica, onde o processo de integração foi direcionado para isolar os governos não controlados por partidos de esquerda e propelir a região a ser fechar ao exterior”, destacou.

De acordo com o chanceler, “a intenção não é incomodar, mas, às vezes, incomodar é um resultado. Hoje, por exemplo, o Brasil incomoda o governo Maduro e os países que ainda sustentam esse regime. Incomoda aqueles que planejam um mundo sem nações, pós-nacional; aqueles que não querem que haja ideia, que não querem pensar e que querem eliminar a razão. Incomoda aqueles que não se preocupam com a soberania e pensam num mundo globalizado como uma espécie de geleia geral, sem fronteiras e sem identidades nacionais”, afirmou.

Venezuela

Presidente da Subcomissão Temporária sobre a Venezuela, o senador Telmário Mota (Pros-RR) informou na quarta-feira, 3, que o grupo se reunirá com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza. A previsão é de que o encontro ocorra na próxima semana, com possibilidade de contar até mesmo com a presença do presidente Nicolás Maduro.

“Então o sentimento das autoridades venezuelanas é de manter essa paz, manter essa relação com o Brasil, mas que esse encontro traga realmente o resultado esperado, da abertura da fronteira. E, consequentemente, do fornecimento da energia para o estado de Roraima. Porque 80% da energia do estado de Roraima vem da Venezuela”, explicou, ressaltando que o comércio com o país vizinho representa 53% das exportações de Roraima.