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A queda de Maduro não será o fim do chavismo!

A queda de Maduro não será o fim do chavismo!

14 de fevereiro de 2019 - 09:00:07
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Marcelo Rech

A cada dia que passa, ganha mais força a solução armada para a crise venezuelana. Washington já tem as opções prontas. Uma intervenção é questão de tempo e condições. Os interesses norte-americanos estão sendo colocados acima de quaisquer outros, inclusive do direito dos venezuelanos à uma democracia plena.

Não restam dúvidas acerca da falência do modelo chavista, muito menos a respeito da incapacidade de Nicolás Maduro de governar. A Venezuela se transformou num antro de corrupção, autoritarismo e incompetência, combustíveis para que as pretensões dos Estados Unidos encontrem um manto de legitimidade.

É fato, também, que mesas de negociação ou diálogo entre governo e oposição, não passam de medidas protelatórias que não levam a lugar algum. Pressionado, o próprio Papa Francisco reconheceu que Maduro não é confiável, não cumpre com o combinado e que mediar essa crise é coisa de maluco. É coisa de maluco porque a oposição venezuelana também está recheada de interesses pouco republicanos.

Donald Trump e os novos falcões, por outro lado, encontraram na Venezuela, um elemento importante para desviar o foco da bagunça interna que vive os Estados Unidos. As birras constantes do líder norte-americano, fizeram com que a velha e surrada estratégia do inimigo externo fosse retomada.

Em nome da democracia, a mesma pela qual Trump demonstra tão pouco apreço, os Estados Unidos oxigenam o Grupo de Lima, encorajam a OEA, desestimam a União Europeia, e inflamam qualquer um que esteja disposto a pagar para ver no enfrentamento ao regime chavista.

Os Estados Unidos também sabem que Rússia e China controlam a Venezuela graças à injeção obscena de dinheiro, especialmente em áreas estratégicas como energia, petróleo e gás, e, claro, questões militares. Ao elaborar uma operação bélica para derrubar o governo daquele país, Washington sabe que irá atacar os interesses de Moscou e Pequim.

Enroladíssimo com a chamada ingerência russa nas eleições da qual saiu vitorioso, Trump tenta mostrar que está longe de ser amigo de Putin. Bater de frente com a Rússia é uma forma de mostrar para o seu público interno que ninguém é mais norte-americano que ele. Com a China, a guerra comercial oscila. Trump quer mostrar que no seu quintal, manda ele.

Mas, e o Brasil? O Brasil decidiu esticar a corda. Jogou fora qualquer possibilidade de funcionar como um mediador confiável e parece fazer o jogo dos Estados Unidos. Pode ser apenas uma percepção, mas parece que estamos envolvidos apenas para mostrar a Trump que estamos dispostos a fazer tudo que ordenar a Casa Branca. Uma espécie de coadjuvante de luxo.

Particularmente, não acredito em solução negociada com Caracas. Vejo um cenário onde um banho de sangue inundará o país sem a certeza de que haja um freio de arrumação. Não basta com derrubar Nicolás Maduro. A queda de Maduro não será o fim do chavismo!

Um regime enraizado como o chavista, levará décadas para ser desmontado. Além disso, continuo acreditando que o homem forte da Venezuela se chama Diosdado Cabello. Alguém capaz de aplicar um golpe no chavismo e radicalizar ainda mais o regime.

Marcelo Rech, 48, é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.